Ritalina para Estudar: Quais os Benefícios e Efeitos Colaterais

Ela já foi apelidada de pílula da inteligência e droga dos concurseiros. Conheça os efeitos da Ritalina para estudar.

O cloridato de metilfenidato – princípio ativo da Ritalina – foi sintetizado pela primeira vez em 1944, mas a patente farmacêutica só foi obtida dez anos depois, pelo antigo Laboratório Ciba-Geigy. O princípio químico foi adotado inicialmente para o tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e, em seguida, da narcolepsia. Mas logo estudantes do mundo todo descobriram que, ao menos em tese, ela melhora a disposição para estudar: seria uma espécie de acelerador dos neurônios.

o TDAH é um transtorno neural caracterizado pela a adoção de comportamentos inadequados, como não conseguir se concentrar na execução de tarefas longas ou repetitivas, grande facilidade para se distrair com estímulos externos, ansiedade e, com o tempo, estigmatização: muitas crianças são tachadas de “burras” ou “mal educadas”.



A Ritalina só pode ser utilizada sob prescrição médica especializada neste tipo de transtorno. Trata-se de uma medicação psicoestimulante e seu uso provoca o aumento da produção de neurotransmissores, como dopamina e serotonina, mas ainda há várias controvérsias na comunidade médica sobre a eficácia da droga.

ritalina

Ritalina para Estudar

Uma pesquisa da UNIFESP – Universidade Federal do Estado de São Paulo – publicada em 2012, demonstra que a Ritalina não melhora a disposição para estudar. Jovens sem TDAH não sofrem alterações com o uso da droga, que em nada afeta a memória, a concentração, nem as funções executivas, como a capacidade de planejar e executar tarefas.

Professores desta universidade deram início aos estudos ao perceberem que muitos alunos, para virar a madrugada estudando para uma prova difícil, tomavam a Ritalina para manter a concentração. O objetivo era verificar se o consumo do medicamento realmente proporcionaria algum tipo de vantagem cognitiva aos usuários.

Foram selecionados 36 estudantes saudáveis, que foram divididos em quatro grupos; o primeiro tomou um placebo e os demais, doses da Ritalina entre 20 e 40 miligramas. Uma vez ministrada a droga, eles foram submetidos a uma série de estes para avaliar a atenção, a capacidade operacional e as funções executivas. Não foram encontradas diferenças entre todo o universo pesquisado.

Mesmo assim, muitos estudantes continuam tomando Ritalina para estudar. Psiquiatras e psicólogos avaliam que a droga se transformou em uma espécie de muleta psicológica: em outras palavras, os usuários acham que estão mais atentos e despertos, mesmo que estes efeitos não sejam provocados pelo medicamento.

Mas a Ritalina é inofensiva? Não exatamente. Ela provoca redução do apetite no início do tratamento (crianças diagnosticadas com TDAH chegaram a apresentar déficit no desenvolvimento físico) e o uso por tempo prolongado aumenta as probabilidades de doenças do coração, inclusive com a instalação de arritmias cardíacas.

Ritalina deve ser proibida?

Especialistas não chegaram a um consenso sobre a eficácia da Ritalina em alguns tratamentos médicos. Até aqui, o que se sabe com certeza é que o consumo não traz nenhum dos supostos benefícios para a memória. A droga só pode ser comercializada com a apresentação de receitas especiais.

No entanto, a Ritalina para estudar parece ter se tornado uma febre. Nos EUA e na Europa, o abuso da droga já é considerado alarmante. No Brasil, ela está circulando há cerca de cinco anos e, claro, é vendida de forma ilegal. Muitos sites oferecem o medicamento, alardeando as melhorias com depoimentos e explicações nem sempre convincentes.


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